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O POSCOMP me avalia e eu avalio o POSCOMP
Por bill | setembro 23, 2008
Na semana passada, dia 14 de Setembro, domingo, a Sociedade Brasileira de Computação (SBC)realizou simultaneamente, as 8 da manhã, em todo o país o Exame Nacional de Pós-Graduação em Computação (POSCOMP). Provavelmente a prova técnica coletiva mais complexa, abrangente e exigente do Brasil. Repetindo a fórmula dos anos anteriores e não contrariando as expectativas acerca do nível de dificuldade, a prova mais uma vez se tornou polêmica. Pra quem não sabe, o POSCOMP está a cada ano se tornando mais e mais, um artifício de avaliação decisivo nas grandes universidades para avaliar e aprovar alunos em programas de Mestrado e Doutorado. O POSCOMP já é critério único de avaliação escrita em instituições com a USP, Unicamp, INPE e até a nossa mineira UFMG. Eu estava lá marcando presença e pude conferir que todos os comentários, que antes considerava exagero, realmente tem fundamento.
Bem, sai da minha pequena cidade as 4 da manhã de moto, depois de fuscão, eu e meu colega de trabalho Wasare pegamos a Fernão Dias e em uma viagem de 3 horas chegamos a Lavras. No campus da UFLA poucas pessoas estavam presentes para realizar o exame. No máximo 30.
O POSCOMP, como nos anos anteriores, traz três cadernos de prova: Tecnologia da Computação, Fundamentos da Computação e Matématica. Com, respectivamente, 15, 40 e 15 questões múltipla escolha cada. A prova de tecnologia foi definitivamente a menos complexa, acho que por tratar de temas mais permeáveis ao mercado e definidos no dia-a-dia do estudante-empregado essa prova se mostra de mais fácil compreensão e logo, resolução. Temas como banco de dados e engenharia de software deram uma equilibrada no número de questões fáceis com difíceis. No entanto, as questões que tratavam de análise gráfica e processamento de imagens se mostraram muito complexas. A prova de fundamentos, maior é com certeza a mais demorada é o foco do exame. Nesta, que mesmo trazendo questões mais brandas sobre orientação a objetos, linguagens, estrutura de dados, álgebra booleana e circuitos se tornou a prova mais complexa do exame. Grafos, matemática computacional, autômatos, arquitetura, IA, sistemas operacionais e compiladores foram os temas mais criticados nos fóruns e discussões pela internet em que participei. A prova de matemática, ao contrário de outros anos, foi a menos debatida. Sempre ouveram críticas sobre a dificuldade e aplicabilidade da prova no exame. No entanto, gostei da prova, questões diretas, que exigiam mais raciocínio lógico do que fórmulas. Ou seja, uma prova mais adaptada a realidade do ‘computês’.
Em geral, o exame, do meu ponto de vista, avalia quase nada da qualidade técnica e realidade dos nossos alunos. Você sai do local de prova se perguntando o que a SBC quer realmente com uma prova tão abrangente em conteúdo e tão específica ao se cobrar um assunto dentro desta abrangência toda. A prova é sim, muito complexa, mas como em todo exame, existem questões fáceis, médias e difíceis. Após a realização do exame e navegando pela internet é fato que o descontentamento geral dos candidatos existe. Na comunidade ‘POSCOMP’ do orkut a discussão sobre a prova de 2008 já atinge o número de 150 posts em 5 dias, em geral as pessoas querem ver a média nacional. Nos últimos anos essa média está em torno de 20 acertos para 50 erros, ou seja, apenas 28% de aproveitamento. Um número baixo.
Existe uma polêmica em torno do POSCOMP que diz que essa prova está para se tornar a OAB dos engenheiros e analistas de software. Para mim, pode até ser que isso venha a acontecer. Eu não sou contra o exame. Apoio e gosto da sistemática gerada. No entanto a prova, sem dúvida, precisa ser revista. Neste ano, especificadamente, problemas com locais de prova aconteceram, por exemplo, e foram avisadas apenas por email e apenas um dia antes. Não existe uma ficha de inscrição confirmando. Mas, no geral, a dificuldade ou a abrangência, não saberia dizer, deve sim ser revista. O exame precisa logo amadurecer.
Como diz um amigo meu, a sensação que se tem após o exame é que o único, único intuito da SBC com o exame não é criar um critério de avaliação para programas de pós-graduação, e sim, identificar super nerds. Super nerds da informática.
PS: Só mais uma coisa, é detalhe.. mas enfim.. a qualidade da logomarca do POSCOMP usada no site da SBC está terrível. Dá uma sensação de amadorismo. Se alguém da SBC ler isto, por favor, aumente os DPI´s da figura..
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